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PRESSÁGIO por Fernando Pessoa

O AMOR, quando se revela, Não se sabe revelar. Sabe bem olhar p'ra ela, Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que sente Não sabe o que há de dizer. Fala: parece que mente... Cala: parece esquecer... Ah, mas se ela adivinhasse, Se pudesse ouvir o olhar, E se um olhar lhe bastasse P'ra saber que a estão a amar! Mas quem sente muito, cala; Quem quer dizer quanto sente Fica sem alma nem fala, Fica só, inteiramente! Mas se isto puder contar-lhe O que não lhe ouso contar, Já não terei que falar-lhe Porque lhe estou a falar...

Cegueira Bendita

Ando perdida nestes sonhos verdes De ter nascido e não saber quem sou, Ando ceguinha a tatear paredes E nem ao menos sei quem me cegou! Não vejo nada, tudo é morto e vago... E a minha alma cega, ao abandono Faz-me lembrar o nenúfar dum lago 'Stendendo as asas brancas cor do sono... Ter dentro d'alma a luz de todo o mundo E não ver nada neste mar sem fundo, Poetas meus irmãos, que triste sorte!... E chamam-nos a nós Iluminados! Pobres cegos sem culpas, sem pecados, A sofrer pelos outros té à morte! Florbela Espanca

Priscilla... minha Priscilla.

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Priscilla é poesia. É música. É palavra esquecida. É amor de passado. Lembrança perdida. Priscilla é a dor que eu guardo no peito, Que pouco compreendo Priscilla é meu tormento,  meu pesadelo, meu karma, meu enigma. Priscilla é sofrimento, É dor que se deseja e se guarda com carinho. Priscilla... é minha Priscilla.
“Sonhamos com um mundo ainda por vir, onde não vamos mais precisar de aparelhos eletrônicos com seres virtuais para superar nossa solidão e realizar nossa essência humana de cuidado e de gentileza. Sonhamos com uma sociedade mundializada, na grande casa comum, a Terra, onde os valores estruturantes se construirão ao redor do cuidado com as pessoas, sobretudo com os diferentes culturalmente, com os penalizados pela natureza ou pela história, cuidado com os espoliados e excluídos, as crianças plantas, os animais, as paisagens queridas e especialmente cuidado com a nossa grande e generosa Mãe, a Terra. Sonhamos com o cuidado assumido como o ethos fundamental do humano e como compaixão imprescindível para com todos os seres da criação”. (BOFF, Leonardo, 2000) , os velhos, os moribundos , cuidado com as
Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesmo, mas com certeza não serei o mesmo pra sempre. (Clarice Lispector)
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Ah, só eu sei Quanto dói meu coração Sem fé nem lei, Sem melodia, nem razão. Só eu, só eu, E não o posso dizer Porque sentir é como o céu Vê-se mas não há nele que ver. [Fernando Pessoa In: Poesia Inédita]  

Cordeiro Manso

Todos os símbolos que me definem, arte pelo corpo. Alma rabiscada na pele. Proteção, equilíbrio; mandamentos de uma vida que deveria, e é uma constante e doce irônia. Priscilla Cordeiro