Dialética da Escolha
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O fenômeno da escolha é um atributo humano e isto é uma das características que diferencia o ser humano de qualquer outro. Quando uma pessoa vive um dilema de escolha, o que se configura é a vontade de “querer” todas as possibilidades, mas escolher significa dar preferência a uma delas e este é um primeiro grande drama. Estaria alguém pronto para realizar escolhas? Escolher significa fazer um projeto que envolve um desconhecido que atemoriza, isto é, pode dar certo ou não dar certo, e este é um segundo drama de qualquer escolha: a insegurança faz parte do processo. Portanto não existe escolha segura ( existe sim, uma escolha mais segura ou uma escolha menos segura ).
Um terceiro drama no processo de escolha é a perda. Ao dar preferência por uma das possibilidades, perdem-se todas as outras. Não é verdade o pressuposto de que só existe uma alternativa que é certa e que deve ser encontrada pela escolha. [...] Quando temos várias alternativas que a principio são igualmente atraentes, escolher uma delas significa não ter acesso às outras e então uma questão permanece: será que elas não seriam melhores? Dúvida impossível de ser respondida.
A escolha, portanto, pressupõe conflito e será mais segura se a existência do conflito for aceita e houver uma busca de informações a respeito das diversas alternativas; se levar em conta a história da pessoa ( auto conhecimento )e o contexto em que ela se dá ( econômico, social, político, cultural, tecnológico ). Entretanto, tais conhecimentos não resolvem o dilema da escolha, que só se dará através de um profundo ato de coragem. Este ato de coragem leva em conta o subjetivo e o objetivo, o racional e o emocional e propõe a elaboração de um projeto de intervenção sobre o passado pessoal e social visando o novo que o modifique, melhore ou o supere.
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Silvio Duarte Bock
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